As primeiras noites frias chegam sempre antes do previsto e, com elas, a tentação de ligar tudo e esquecer. Aquecer a casa sem gastar muito não é passar frio: é deixar de pagar pelo calor que foge por baixo de uma porta ou pela caixa de um estore. Em Portugal, onde a maioria das casas não tem aquecimento central e as paredes isolam pouco, é aí que se ganha quase tudo. Estas são as medidas que mais se notam, da mais barata para a mais cara.
Aquecer a casa sem gastar muito começa por tapar as fugas de ar
É o mais barato e o que se nota mais depressa. Uma casa cheia de correntes de ar nunca aquece, por muito aparelho que se ligue.
- Portas para o exterior: ponha um vedante autocolante no aro e um tapa-frestas na parte de baixo (aquele rolo de tecido que encosta ao chão). É por aí que entra mais ar.
- A caixa do estore é o buraco grande que quase ninguém vai ver. Abra-a e confirme se está oca: enchê-la com uma placa de isolante cortada à medida muda por completo a sensação no quarto.
- Janelas antigas: passe a mão à volta do caixilho com a janela fechada. Se sentir ar, uma fita de espuma autocolante no aro resolve por poucos euros.
- Estores e cortinados: feche-os ao anoitecer, todos os dias. Um cortinado grosso até ao chão funciona como mais uma camada de isolamento. E abra-os de dia quando houver sol: é aquecimento grátis.
Aquecer só as divisões que usa
Aquecer a casa toda para estar na sala é o erro mais caro que há. Feche as portas dos quartos vazios e concentre o calor onde está.
Para saber quanto custa mesmo, a conta é simples: potência em quilowatts × horas ligado = kWh consumidos. Um aparelho de 2.000 W durante três horas são 6 kWh; multiplique pelo preço do kWh que vem na sua fatura e tem o custo exato dessa tarde.
- Termoventilador: aquece depressa e gasta muito. Serve para tirar o frio de repente na casa de banho, não para estar ligado horas.
- Aquecedor a óleo: demora a arrancar, mas mantém o calor depois de desligado. É o indicado para uma divisão onde vai passar a tarde toda.
- Ar condicionado com bomba de calor: se o tiver, costuma ser a opção mais eficiente por cada kWh gasto. Muita gente tem um instalado e só o usa no verão.
E use o termóstato ou o temporizador: 19-20 °C na sala e 16-17 °C nos quartos chega bem. Cada grau a mais paga-se todos os dias do inverno.
A humidade é o que o faz sentir mais frio
O ar húmido dá sensação de frio mesmo com o termómetro em ordem e ainda obriga o aparelho a trabalhar mais. Baixar a humidade é, na prática, subir a temperatura que se sente.
- Areje em cruzado 5 a 10 minutos de manhã, com as janelas bem abertas. Nesse tempo o ar renova-se sem que as paredes arrefeçam, que é o que depois custa a recuperar.
- Ao cozinhar e ao tomar banho, exaustor ligado e porta fechada, para o vapor não se espalhar pela casa toda.
- Evite estender a roupa dentro de casa em divisões fechadas. Uma máquina de roupa liberta litros de água para o ar. Se não tiver alternativa, deixe a janela entreaberta ou use um desumidificador.
O mais barato é aquecer a pessoa, não a casa
Subir um grau na casa inteira custa muito mais do que agasalhar quem está dentro dela.
- Tapetes em pavimentos de mosaico: o frio que sobe do chão é metade da sensação térmica.
- Mantas polares no sofá, roupa de cama de flanela e meias de casa. Parece óbvio; funciona.
- Um saco de água quente ou uma manta elétrica consomem uma fração do que consome um aquecedor, e aquecem quem precisa.
Erros que saem caros
- Pôr o termóstato no máximo para aquecer mais depressa. Não aquece mais rápido: só passa do ponto e gasta a mais.
- Deixar um aparelho ligado a noite toda com uma janela entreaberta "para não ficar o ar pesado".
- Aquecedores a gás ou a butano sem ventilação. Além do risco de monóxido de carbono, libertam muito vapor de água e enchem a casa de humidade.
- Secar roupa em cima de um aquecedor. É risco de incêndio e humidade em partes iguais.
Comece pelo primeiro ponto da lista: meia tarde a tapar fugas e a pôr cortinados e tapetes nota-se mais do que qualquer aparelho novo. Se for renovar os têxteis de casa para o inverno, pode dar uma vista de olhos à nossa seleção para casa antes de o frio apertar.