Com a chegada do verão chegam os arraiais, o São João e as festas populares, e com elas o momento mais temido por muitos donos: um cão com medo de petardos que treme, se esconde ou tenta fugir. A ansiedade ao ruído nos cães é muito comum e, embora não se cure de um dia para o outro, pode ser bem gerida. Neste guia vai ver porque acontece, como acalmar no momento um cão com medo de petardos e o que fazer para que cada ano o leve melhor.
Porque é que o seu cão tem medo de petardos
A audição de um cão é muito mais sensível do que a nossa: capta frequências que nem sequer notamos e a um volume muito superior. Um petardo não soa apenas alto, chega também de forma repentina e imprevisível, sem que o animal o consiga antecipar nem perceber de onde vem. Para o seu instinto, esse estrondo é uma ameaça, e o corpo responde com a reação de fuga ou de bloqueio.
A ansiedade ao ruído nos cães pode surgir em qualquer idade, embora costume agravar-se com o tempo se não for trabalhada. As trovoadas, o fogo de artifício e os petardos partilham o mesmo padrão: ruído intenso e sem aviso. Por isso muitos cães que temem os trovões também sofrem com os arraiais de verão.
Sinais de que o seu cão está assustado
Nem todos os cães reagem da mesma forma. Convém aprender a ler a sua linguagem corporal para agir a tempo. Os sinais mais habituais são:
- Tremores e ofego sem ter feito exercício.
- Esconder-se debaixo da cama, na casa de banho ou num canto escuro.
- Orelhas para trás, cauda entre as patas e postura encolhida.
- Ladrar, uivar ou tentar fugir de casa.
- Baba excessiva, pupilas dilatadas ou perda do controlo dos esfíncteres.
- Procurar contacto constante consigo ou, pelo contrário, isolar-se por completo.
Se o seu cão mostra vários destes sinais durante os petardos, não está a «fazer teatro»: está mesmo a passar um mau bocado e precisa da sua ajuda.

Como acalmar um cão com medo de petardos
Durante a noite dos petardos, o seu objetivo é transmitir calma e reduzir o impacto do ruído. Estas orientações ajudam a acalmar um cão com medo de petardos sem piorar a situação:
- Mantenha a calma primeiro você. O cão lê o seu estado de espírito; se se mostrar tranquilo e normal, dá-lhe uma referência segura.
- Não o castigue nem o force. Ralhar-lhe por tremer ou se esconder só aumenta o seu medo.
- Acompanhe-o se ele o pedir. Pode acariciá-lo com suavidade se se aproximar, mas sem o sufocar se preferir o seu canto.
- Abafe o ruído. Feche janelas e estores e ponha música suave, a televisão ou um ruído branco para amortecer os estrondos.
- Leve-o a passear antes. O último passeio de preferência com luz do dia e com a trela bem segura, antes de começarem os petardos.
- Ofereça distração. Um brinquedo recheado de comida ou um mordedor podem ajudar a redirecionar a atenção dele.
Crie um refúgio seguro em casa
A maioria dos cães procura instintivamente um sítio fechado onde se sinta protegida. Antecipe-se e prepare-lhe um refúgio confortável: uma zona tranquila e interior da casa, longe das janelas, com a cama dele, uma manta que cheire a casa e os brinquedos favoritos. Deixar a porta da transportadora aberta com uma mantinha lá dentro também funciona muito bem, porque imita uma toca.
Na Velia Select encontra camas, mantas e acessórios para animais com que montar esse espaço seguro onde o seu cão se possa refugiar quando começar o barulho. Quanto mais cedo associar esse canto a tranquilidade, melhor o usará nas noites complicadas.
Cães e fogo de artifício: o que NÃO fazer
Há erros frequentes que convém evitar com os cães e o fogo de artifício. Não o deixe sozinho em casa ou no jardim durante o espetáculo, não o leve a ver o fogo a pensar que se vai habituar, e não lhe dê nenhum medicamento ou calmante por sua conta. Qualquer tratamento, seja natural ou farmacológico, deve passar sempre pelo seu veterinário.
Prevenção: trabalhar o medo com tempo
A boa notícia é que a ansiedade ao ruído nos cães pode ser reduzida trabalhando com antecedência. Estas estratégias dão resultado a médio prazo:
- Dessensibilização. Reproduza gravações de petardos a volume muito baixo enquanto o seu cão come ou brinca, subindo aos poucos ao longo de semanas.
- Reforço positivo. Premeie com guloseimas e festas sempre que ele mantiver a calma perante um ruído.
- Identifique o refúgio preferido dele antes da época dos arraiais, para que já o tenha associado a segurança.
- Consulte o veterinário se o medo for muito intenso: existem feromonas, coletes de pressão e tratamentos que podem ajudar em casos graves.
A dessensibilização exige constância, mas é a ferramenta mais eficaz para que o seu cão deixe de viver cada verão em angústia.
Em resumo
Um cão com medo de petardos não se acalma à base de repreensões nem obrigando-o a «ultrapassar isso». Precisa de um ambiente seguro, de um dono tranquilo e de um trabalho de prevenção feito com paciência. Prepare-lhe o refúgio antes do São João, amorteça o ruído e, se o medo for muito forte, apoie-se no seu veterinário. Para montar esse canto confortável onde ele se sinta a salvo, dê uma vista de olhos aos produtos para animais da Velia Select e dê ao seu cão um verão mais tranquilo.