Põe a taça no chão, vira-se de costas e já está vazia. Se o seu cão devora a ração em menos de um minuto, vale a pena levar isso a sério: comer assim sobrecarrega a digestão e, nalgumas raças, está associado a um risco real. Um comedouro lento para cães é a solução mais simples, desde que escolha o modelo certo e o introduza como deve ser. Vamos por partes.
Porque é que o seu cão come demasiado depressa
Quase sempre há uma destas três razões por trás:
- Competição aprendida. Um cão criado numa ninhada numerosa, num canil ou a viver com outro animal aprendeu que a comida desaparece se não se despachar. O reflexo dura anos.
- Refeições muito espaçadas. Uma única refeição por dia gera uma fome intensa que empurra para o engolir à pressa. Dividir a ração em duas refeições, de manhã e à noite, já baixa bastante o ritmo.
- Aborrecimento ou stress. Um cão que passa muitas horas sozinho concentra toda a sua excitação no único momento forte do dia: a taça.
Há também causas médicas (parasitas, problemas de absorção, alguns tratamentos). Se o apetite mudou de repente ou se o cão emagrece a comer o mesmo, fale com o veterinário antes de mudar seja o que for.
Que riscos tem engolir sem mastigar
A curto prazo nota-se logo: regurgitações ao fim de poucos minutos, soluços, gases, barriga inchada e aquele desconforto depois de comer. O cão engole muito ar juntamente com a ração e é o estômago que paga a fatura.
A médio prazo, em raças grandes de tórax profundo (pastor-alemão, dogue alemão, boxer, setter), os veterinários relacionam o comer muito depressa com a dilatação-torção gástrica, uma emergência que põe a vida em risco. Não é caso para alarme, mas é caso para agir: abrandar a refeição é uma medida barata e sem efeitos secundários.
Como escolher um comedouro lento que resulte
- Dificuldade adequada. Os relevos demasiado juntos frustram o cão, que acaba por virar o comedouro; os demasiado planos não travam nada. Para começar, é melhor optar por canais largos e, quando ele dominar o jogo, passar a desenhos mais fechados.
- Material. O silicone flexível é cómodo de limpar, não danifica os dentes, aguenta a máquina de lavar loiça e não faz barulho contra o chão.
- Estabilidade. Se a base não agarrar, o seu cão empurra o comedouro pela cozinha fora e volta a comer depressa a partir do chão.
- Tamanho. A ração inteira tem de caber distribuída pelos espaços. Se transbordar, o cão come o que sobra e o efeito desaparece.
O nosso comedouro lento em silicone com taça e 5 zonas serve tanto para ração seca como para comida húmida espalhada: prolonga a refeição e, já agora, entretém.
Como introduzi-lo sem frustrar o cão
O erro típico é mudar de repente: o cão encontra um obstáculo entre ele e a comida, fica nervoso e acaba por virá-lo. Faça-o em cinco dias:
- Dias 1 e 2: metade da ração no comedouro lento e a outra metade na taça de sempre, ao lado.
- Dias 3 e 4: três quartos da ração no comedouro lento.
- Dia 5: a ração completa. Cronometre: o objetivo razoável é passar de menos de um minuto para cinco ou dez.
Durante o processo, não lhe retire o comedouro nem o meta à pressa, e deixe-o comer num sítio calmo, longe da passagem e de outros animais. Se o cão rosnar quando se aproxima da comida, trabalhe isso à parte com um profissional: o comedouro não resolve a proteção de recursos.
Três alternativas que também servem
- Espalhar a ração por um tapete olfativo ou pela relva: come devagar e ainda cheira, o que cansa mais do que um passeio curto.
- Distribuir a comida por vários recipientes pela casa, para o obrigar a deslocar-se entre dentada e dentada.
- Dar parte da ração à mão durante os exercícios de obediência: baixa o ritmo e reforça o trabalho do dia.
O ideal é combinar: comedouro lento na refeição principal e uma destas opções na outra, para que não se torne rotina e continue a ser um pequeno desafio.
Abrandar a refeição é das mudanças que mais depressa se notam em casa: menos regurgitações, menos gases e um cão mais tranquilo depois de comer. E só é preciso mudar a taça.