Encontras o papel de um bombom no chão e o cão a lamber os beiços. Se o teu cão comeu chocolate, o mais útil é agir depressa e com calma: saber que tipo de chocolate era, quanto comeu e ligar ao veterinário. Com o Halloween à porta e doces espalhados pela casa, é um dos sustos mais habituais do outono. Eis o que fazer, passo a passo.
O meu cão comeu chocolate: o que fazer agora
- Retira o que sobrar e guarda a embalagem: no rótulo aparece a percentagem de cacau.
- Reúne os dados: tipo de chocolate, quantidade aproximada, a que horas o comeu e quanto pesa o cão.
- Liga logo ao veterinário ou a uma clínica veterinária com urgência 24 horas, mesmo que o cão pareça estar perfeitamente bem. Os sintomas podem demorar horas a aparecer, e quanto mais cedo se atuar, mais simples é o tratamento.
- Não o faças vomitar por tua conta: nada de água com sal nem água oxigenada, que lhe podem fazer mal. Se for preciso, quem decide é o veterinário, que te dirá como fazer.
- Segue as indicações do veterinário e vigia o cão durante as horas seguintes.
Porque é que o chocolate é tóxico para os cães
O problema é a teobromina, uma substância do cacau que vem acompanhada de alguma cafeína. Nós eliminamo-la depressa; o cão, muito devagar. Por isso, uma quantidade inofensiva para uma pessoa pode intoxicá-lo. O risco que corre depende sobretudo de duas coisas:
- O tipo de chocolate. Quanto mais escuro, mais teobromina. Do mais para o menos perigoso: cacau puro em pó, chocolate negro e chocolate de leite. O chocolate branco quase não tem, mas leva muita gordura e açúcar e também lhe pode cair mal.
- O peso do cão. Com a mesma quantidade, um cão pequeno corre muito mais risco: a um chihuahua podem bastar uns quadrados de chocolate negro, enquanto um labrador precisaria de bastante mais.
Na internet há calculadoras e tabelas de doses, mas os números mudam de uma fonte para outra. Usa-as, no máximo, para teres uma ideia: quem deve avaliar o risco real é o veterinário.
Sintomas de intoxicação por chocolate em cães
Costumam aparecer nas horas seguintes e podem durar bastante, precisamente porque o cão elimina a teobromina devagar. Repara em:
- vómitos e diarreia;
- muita sede e vontade de urinar mais vezes;
- nervosismo, agitação e respiração ofegante;
- o coração acelerado;
- tremores, rigidez muscular e, nos casos graves, convulsões.
Se vires estes sinais, não esperes que passe: vai ao veterinário ou às urgências.
Halloween: não é só o chocolate
Entre o «doçura ou travessura», as festas e as taças cheias de rebuçados, no fim de outubro há outros perigos em casa:
- Rebuçados e pastilhas elásticas sem açúcar: podem ter xilitol, um adoçante muito perigoso para os cães mesmo em pouca quantidade. Lê o rótulo.
- Passas e uvas, presentes em alguns doces: também têm de ficar longe do cão.
- Embrulhos, papel de alumínio e paus de chupa-chupa: se os engolir, podem obstruir-lhe o intestino.
Para o resto da noite, desde a porta que não para de se abrir até aos disfarces, tens todos os conselhos no nosso guia de Halloween com animais de estimação.
Como evitar que volte a acontecer
- Guarda os doces e o chocolate no alto ou num armário fechado, não na mesa de centro da sala.
- Avisa as crianças e os convidados: nada de pedacinhos «só para provar».
- Atenção às malas, mochilas e casacos deixados no chão: para um cão, são um convite a vasculhar. E depois do «doçura ou travessura», guarda bem o saco das crianças.
- Se quiseres que ele participe na festa, dá-lhe snacks para cães só para ele. Servir-lhe a comida num comedouro lento mantém-no entretido durante mais tempo enquanto tocam à campainha.
Em resumo: se o teu cão comeu chocolate, não improvises nem esperes para ver se aparecem sintomas. O melhor é ligar ao veterinário quanto antes, com o tipo de chocolate, a quantidade, a hora e o peso à mão. Este guia é informativo e não substitui a consulta veterinária.